Investir em ETFs no longo prazo: vale incluir estratégias de baixa correlação?
Investir no longo prazo em fundos negociados em bolsa (ETFs) é uma forma prática de participar do crescimento do mercado de ações. Mas mesmo uma carteira diversificada entre dezenas ou centenas de empresas pode sofrer perdas expressivas durante uma crise.
À medida que o patrimônio investido cresce, a pergunta deixa de ser apenas “Como conseguir uma rentabilidade maior?”. Outra questão passa a ter a mesma importância: Minha carteira depende demais do desempenho do mercado de ações?
Isso não significa abandonar os ETFs. Significa avaliar se outras fontes de retorno, especialmente estratégias com baixa correlação com a bolsa, podem contribuir para uma diversificação mais eficiente.
Imagine um ETF que acompanha grandes empresas dos Estados Unidos e outro concentrado no setor de tecnologia. Embora sigam índices diferentes, ambos podem reagir aos mesmos fatores econômicos e registrar perdas ao mesmo tempo durante uma queda generalizada da bolsa.
Ter vários ETFs na carteira não significa, necessariamente, contar com várias fontes independentes de retorno.
A história mostra que até ETFs de ações amplamente diversificados já enfrentaram desvalorizações superiores a 50% durante grandes crises financeiras.
Principais períodos de queda: SPY (2007–2009), QQQ (2000–2002), VOO (2020) e Taiwan 0050 (2008).
Observações sobre os dados: O gráfico apresenta valores aproximados do drawdown máximo de cada ETF desde seu lançamento. Os períodos analisados não são iguais, e os resultados podem variar conforme o tratamento dos dividendos, a frequência dos dados e o método de cálculo. Portanto, esses números não devem ser usados isoladamente para classificar os ETFs por nível de risco.
A maior queda registrada por um ETF desde sua criação não corresponde necessariamente à pior queda já enfrentada pelo mercado que ele acompanha.
O VOO é um bom exemplo. Lançado em 2010, esse ETF não passou diretamente pela crise financeira global de 2008. Entretanto, o índice S&P 500, que serve de referência para o fundo, sofreu uma queda muito mais profunda naquele período. É possível analisar esse episódio por meio dos dados históricos do índice ou do SPY, que possui um histórico mais longo.
Uma limitação semelhante existe no caso do Taiwan 0050, lançado em 2003. Seu histórico real de negociação não contempla as grandes quedas da bolsa de Taiwan anteriores a essa data. Em 1990, por exemplo, o estouro de uma bolha especulativa levou o índice acionário TAIEX a perder aproximadamente 80% de seu valor. Essa foi uma queda histórica do índice de mercado, e não um drawdown real ou simulado do ETF Taiwan 0050.
A conclusão é importante: um fundo com histórico mais curto não está necessariamente menos exposto a crises futuras apenas porque ainda não atravessou algumas das piores quedas do mercado.
Para avaliar os riscos de um ETF, vale olhar além de sua própria trajetória e observar como o mercado de referência se comportou ao longo de ciclos econômicos mais extensos.
Nada disso diminui a importância de investir em ETFs no longo prazo. O ponto é reconhecer uma diferença fundamental: a rentabilidade acumulada ao longo dos anos e as perdas enfrentadas durante esse percurso são aspectos distintos de um investimento.
Para quem já acumulou um patrimônio relevante, está próximo da aposentadoria ou pretende realizar retiradas periódicas, um drawdown elevado pode representar muito mais do que uma perda temporária no extrato. Ele pode comprometer prazos e decisões do planejamento financeiro.
É nesse contexto que surge uma questão: será que adicionar outras fontes de retorno pode diminuir a dependência da carteira em relação ao mercado de ações?
Na análise financeira, o coeficiente de correlação (Correlation) varia de -1 a +1. Na prática, há três situações principais:
Baixa correlação não é a mesma coisa que correlação negativa.
Essa distinção é especialmente relevante para quem investe em ETFs de ações.
Uma estratégia de baixa correlação não gera lucro automaticamente quando a bolsa cai. Significa apenas que seus retornos não acompanham de maneira consistente a direção do mercado acionário.
As ações e uma estratégia quantitativa podem apresentar prejuízos simultaneamente, mesmo que a correlação histórica entre ambas esteja próxima de zero. Da mesma forma, uma correlação historicamente negativa não garante proteção em todas as quedas do mercado.
O benefício potencial está em combinar fontes de retorno que não se movimentem sempre da mesma maneira, e não em esperar que um investimento compense qualquer perda de outro.
Considere um exemplo hipotético com dois investimentos:
Se todo o capital estiver aplicado no ETF de ações, a volatilidade anualizada da carteira será de 20%.
Sob essas hipóteses, uma alocação de 80% no ETF e 20% na estratégia alternativa reduziria a volatilidade da carteira para aproximadamente 16,3%. Com 60% no ETF e 40% na estratégia alternativa, ela cairia ainda mais, para cerca de 13,4%.
Mas como adicionar outro investimento que também oscila de preço pode diminuir a volatilidade total?
Porque o risco de uma carteira não depende apenas da volatilidade de cada investimento, mas também da forma como seus retornos se movimentam uns em relação aos outros.
Quando os investimentos não sobem e caem sempre juntos, parte dessas oscilações pode se compensar. Com isso, a carteira como um todo pode apresentar variações de valor menos intensas.
É justamente esse possível efeito de diversificação que torna as estratégias de baixa correlação interessantes.
É importante ressaltar, porém, que os números apresentados no gráfico são apenas uma simulação matemática baseada em hipóteses específicas, não resultados reais de uma estratégia. Volatilidade menor não garante drawdown máximo menor nem rentabilidade superior.
Na prática, é preciso verificar se a inclusão da estratégia realmente melhora a carteira depois de considerar os retornos, as taxas, os custos operacionais e os riscos envolvidos. A nova composição também deve fazer sentido para os objetivos financeiros do investidor.
O objetivo não é necessariamente encontrar o investimento mais rentável, mas construir uma carteira em que diferentes fontes de retorno possam se complementar.
Imagine que uma carteira passe de R$ 10 milhões para R$ 8 milhões. Isso representa uma queda de 20%. Para voltar de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões, entretanto, será necessário um ganho de 25%, e não de 20%.
Uma perda de 10% exige uma valorização de aproximadamente 11,1% para ser recuperada. Depois de uma queda de 30%, o ganho necessário sobe para cerca de 42,9%. Se a carteira perder metade do valor, ou seja, 50%, precisará subir 100% — dobrar de valor — apenas para retornar ao pico anterior.
Quanto mais profundo o drawdown, maior o retorno necessário para recuperar a perda.
Sob essa perspectiva, as quedas históricas dos ETFs apresentadas anteriormente ganham ainda mais relevância. Um investimento com boas perspectivas de crescimento no longo prazo também pode enfrentar perdas que levem anos para serem recuperadas.
Esse período de recuperação pode ser particularmente difícil para quem precisa fazer retiradas regulares da carteira ou cumprir compromissos financeiros em datas específicas.
Por isso, investir no longo prazo não deveria se resumir à busca pela maior rentabilidade possível. A dimensão das perdas potenciais e suas consequências também precisam entrar na avaliação.
Buscar retornos razoáveis e, ao mesmo tempo, administrar o risco de grandes drawdowns pode ajudar o investidor a manter seus planos financeiros de longo prazo.
Explorar fontes alternativas de retorno é uma das possibilidades. Não porque exista uma estratégia capaz de eliminar todas as perdas, mas porque uma combinação adequada pode reduzir a dependência de um único fator de risco de mercado.
Comece por um histórico verificável de operações em conta real, e não apenas pela rentabilidade anualizada divulgada.
Plataformas de acompanhamento de desempenho de terceiros, como o Myfxbook, permitem consultar históricos de operações e estatísticas de performance. Essas informações ajudam a entender os retornos e riscos observados enquanto a estratégia operava em condições reais de mercado.
No entanto, a verificação do histórico de operações por uma plataforma externa não equivale a uma auditoria financeira independente. Também não oferece garantia de resultados futuros.
Um histórico de operações reais fornece evidências mais diretas sobre a execução das negociações do que uma simulação. Ainda assim, resultados passados não garantem desempenho futuro.
Se o histórico divulgado incluir backtests ou períodos simulados, esses resultados devem ser apresentados separadamente daqueles obtidos em operações reais.
Para quem já possui ETFs, o propósito de avaliar uma nova estratégia não é necessariamente encontrar aquela com a maior rentabilidade. Mais importante é descobrir se ela acrescenta uma fonte de retorno útil, com um nível de risco aceitável.
Se os investimentos atuais já atendem aos seus objetivos financeiros, à sua tolerância ao risco e às suas necessidades de liquidez, manter a alocação existente pode ser uma decisão perfeitamente razoável.
Mas, conforme o patrimônio cresce, vale refletir sobre algumas questões:
A baixa correlação, por si só, não é motivo suficiente para investir.
Uma nova estratégia só merece consideração quando seu potencial de retorno, seu perfil de risco e suas condições práticas são compatíveis com os objetivos e as limitações do investidor.
A pergunta mais importante é outra:
“Minha carteira depende demais dos mesmos fatores de mercado e das mesmas fontes de retorno? Uma estratégia diferente poderia me ajudar a buscar crescimento patrimonial no longo prazo, administrando melhor os riscos?”
Para quem já construiu uma carteira de ETFs de longo prazo, compreender os drawdowns máximos históricos, a correlação entre retornos e o efeito de diferentes alocações é um bom ponto de partida para aprimorar a composição dos investimentos.
Ao pesquisar estratégias de baixa correlação, vale começar por três aspectos:
Estamos abertos à troca de ideias sobre pesquisa em estratégias quantitativas, gestão de riscos e construção de carteiras, contribuindo para que investidores interessados avaliem suas alternativas com mais informação e critérios bem fundamentados.
Uma carteira bem estruturada não busca apenas gerar rentabilidade. Ela também precisa administrar os riscos ao longo do caminho até os objetivos financeiros de longo prazo.
À medida que o patrimônio investido cresce, a pergunta deixa de ser apenas “Como conseguir uma rentabilidade maior?”. Outra questão passa a ter a mesma importância: Minha carteira depende demais do desempenho do mercado de ações?
Isso não significa abandonar os ETFs. Significa avaliar se outras fontes de retorno, especialmente estratégias com baixa correlação com a bolsa, podem contribuir para uma diversificação mais eficiente.
1. ETFs diversificam as ações, mas não eliminam o risco de mercado
Os ETFs de ações ajudam a reduzir o risco de concentrar o patrimônio em poucas empresas. No entanto, uma carteira formada principalmente por esses fundos continua bastante exposta às oscilações do mercado acionário como um todo.Imagine um ETF que acompanha grandes empresas dos Estados Unidos e outro concentrado no setor de tecnologia. Embora sigam índices diferentes, ambos podem reagir aos mesmos fatores econômicos e registrar perdas ao mesmo tempo durante uma queda generalizada da bolsa.
Ter vários ETFs na carteira não significa, necessariamente, contar com várias fontes independentes de retorno.
Drawdown máximo histórico de ETFs conhecidos
O drawdown máximo (Maximum Drawdown, MDD) representa a maior queda percentual de um investimento entre um pico anterior e o ponto mais baixo registrado posteriormente, dentro de determinado período.A história mostra que até ETFs de ações amplamente diversificados já enfrentaram desvalorizações superiores a 50% durante grandes crises financeiras.
Principais períodos de queda: SPY (2007–2009), QQQ (2000–2002), VOO (2020) e Taiwan 0050 (2008).
Observações sobre os dados: O gráfico apresenta valores aproximados do drawdown máximo de cada ETF desde seu lançamento. Os períodos analisados não são iguais, e os resultados podem variar conforme o tratamento dos dividendos, a frequência dos dados e o método de cálculo. Portanto, esses números não devem ser usados isoladamente para classificar os ETFs por nível de risco.
A maior queda registrada por um ETF desde sua criação não corresponde necessariamente à pior queda já enfrentada pelo mercado que ele acompanha.
O VOO é um bom exemplo. Lançado em 2010, esse ETF não passou diretamente pela crise financeira global de 2008. Entretanto, o índice S&P 500, que serve de referência para o fundo, sofreu uma queda muito mais profunda naquele período. É possível analisar esse episódio por meio dos dados históricos do índice ou do SPY, que possui um histórico mais longo.
Uma limitação semelhante existe no caso do Taiwan 0050, lançado em 2003. Seu histórico real de negociação não contempla as grandes quedas da bolsa de Taiwan anteriores a essa data. Em 1990, por exemplo, o estouro de uma bolha especulativa levou o índice acionário TAIEX a perder aproximadamente 80% de seu valor. Essa foi uma queda histórica do índice de mercado, e não um drawdown real ou simulado do ETF Taiwan 0050.
A conclusão é importante: um fundo com histórico mais curto não está necessariamente menos exposto a crises futuras apenas porque ainda não atravessou algumas das piores quedas do mercado.
Para avaliar os riscos de um ETF, vale olhar além de sua própria trajetória e observar como o mercado de referência se comportou ao longo de ciclos econômicos mais extensos.
Nada disso diminui a importância de investir em ETFs no longo prazo. O ponto é reconhecer uma diferença fundamental: a rentabilidade acumulada ao longo dos anos e as perdas enfrentadas durante esse percurso são aspectos distintos de um investimento.
Para quem já acumulou um patrimônio relevante, está próximo da aposentadoria ou pretende realizar retiradas periódicas, um drawdown elevado pode representar muito mais do que uma perda temporária no extrato. Ele pode comprometer prazos e decisões do planejamento financeiro.
É nesse contexto que surge uma questão: será que adicionar outras fontes de retorno pode diminuir a dependência da carteira em relação ao mercado de ações?
2. Qual é o papel das estratégias de baixa correlação?
O atrativo de uma estratégia de baixa correlação não é a capacidade de prever o próximo tombo da bolsa. Seu potencial está em gerar retornos que não dependam exclusivamente da valorização das ações.Correlação baixa e correlação negativa: qual é a diferença?
A correlação mede o quanto os retornos de dois investimentos tendem a se movimentar juntos.Na análise financeira, o coeficiente de correlação (Correlation) varia de -1 a +1. Na prática, há três situações principais:
- Correlação positiva (próxima de +1): Os retornos tendem a seguir a mesma direção. Os dois investimentos frequentemente sobem ou caem ao mesmo tempo.
- Correlação baixa (próxima de 0): Não existe uma relação linear forte e consistente entre os retornos. Quando um investimento sobe, o outro pode subir, cair ou permanecer praticamente estável.
- Correlação negativa (próxima de -1): Os retornos tendem a seguir direções opostas. Quando um investimento sobe, o outro tende a cair.
Baixa correlação não é a mesma coisa que correlação negativa.
Essa distinção é especialmente relevante para quem investe em ETFs de ações.
Uma estratégia de baixa correlação não gera lucro automaticamente quando a bolsa cai. Significa apenas que seus retornos não acompanham de maneira consistente a direção do mercado acionário.
As ações e uma estratégia quantitativa podem apresentar prejuízos simultaneamente, mesmo que a correlação histórica entre ambas esteja próxima de zero. Da mesma forma, uma correlação historicamente negativa não garante proteção em todas as quedas do mercado.
O benefício potencial está em combinar fontes de retorno que não se movimentem sempre da mesma maneira, e não em esperar que um investimento compense qualquer perda de outro.
Como a baixa correlação pode reduzir a volatilidade da carteira?
Considere um exemplo hipotético com dois investimentos:
- ETF de ações: Volatilidade anualizada de 20%.
- Estratégia alternativa: Volatilidade anualizada de 15% e correlação igual a 0 em relação ao ETF.
Se todo o capital estiver aplicado no ETF de ações, a volatilidade anualizada da carteira será de 20%.
Sob essas hipóteses, uma alocação de 80% no ETF e 20% na estratégia alternativa reduziria a volatilidade da carteira para aproximadamente 16,3%. Com 60% no ETF e 40% na estratégia alternativa, ela cairia ainda mais, para cerca de 13,4%.
Mas como adicionar outro investimento que também oscila de preço pode diminuir a volatilidade total?
Porque o risco de uma carteira não depende apenas da volatilidade de cada investimento, mas também da forma como seus retornos se movimentam uns em relação aos outros.
Quando os investimentos não sobem e caem sempre juntos, parte dessas oscilações pode se compensar. Com isso, a carteira como um todo pode apresentar variações de valor menos intensas.
É justamente esse possível efeito de diversificação que torna as estratégias de baixa correlação interessantes.
É importante ressaltar, porém, que os números apresentados no gráfico são apenas uma simulação matemática baseada em hipóteses específicas, não resultados reais de uma estratégia. Volatilidade menor não garante drawdown máximo menor nem rentabilidade superior.
Na prática, é preciso verificar se a inclusão da estratégia realmente melhora a carteira depois de considerar os retornos, as taxas, os custos operacionais e os riscos envolvidos. A nova composição também deve fazer sentido para os objetivos financeiros do investidor.
O objetivo não é necessariamente encontrar o investimento mais rentável, mas construir uma carteira em que diferentes fontes de retorno possam se complementar.
3. Rentabilidade de longo prazo importa. Controlar perdas também.
A rentabilidade anualizada é um indicador importante, mas não conta toda a história. Outra pergunta merece a mesma atenção: depois de uma perda significativa, quanto a carteira precisa subir para recuperar seu valor anterior?Imagine que uma carteira passe de R$ 10 milhões para R$ 8 milhões. Isso representa uma queda de 20%. Para voltar de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões, entretanto, será necessário um ganho de 25%, e não de 20%.
Quanto maior a perda, mais difícil é a recuperação
Uma perda de 10% exige uma valorização de aproximadamente 11,1% para ser recuperada. Depois de uma queda de 30%, o ganho necessário sobe para cerca de 42,9%. Se a carteira perder metade do valor, ou seja, 50%, precisará subir 100% — dobrar de valor — apenas para retornar ao pico anterior.
Quanto mais profundo o drawdown, maior o retorno necessário para recuperar a perda.
Sob essa perspectiva, as quedas históricas dos ETFs apresentadas anteriormente ganham ainda mais relevância. Um investimento com boas perspectivas de crescimento no longo prazo também pode enfrentar perdas que levem anos para serem recuperadas.
Esse período de recuperação pode ser particularmente difícil para quem precisa fazer retiradas regulares da carteira ou cumprir compromissos financeiros em datas específicas.
Por isso, investir no longo prazo não deveria se resumir à busca pela maior rentabilidade possível. A dimensão das perdas potenciais e suas consequências também precisam entrar na avaliação.
Buscar retornos razoáveis e, ao mesmo tempo, administrar o risco de grandes drawdowns pode ajudar o investidor a manter seus planos financeiros de longo prazo.
Explorar fontes alternativas de retorno é uma das possibilidades. Não porque exista uma estratégia capaz de eliminar todas as perdas, mas porque uma combinação adequada pode reduzir a dependência de um único fator de risco de mercado.
4. Como avaliar o desempenho real de uma estratégia quantitativa?
Depois de compreender a importância da correlação e dos drawdowns, o próximo passo é avaliar se determinada estratégia quantitativa de negociação realmente merece espaço na carteira.Comece por um histórico verificável de operações em conta real, e não apenas pela rentabilidade anualizada divulgada.
Plataformas de acompanhamento de desempenho de terceiros, como o Myfxbook, permitem consultar históricos de operações e estatísticas de performance. Essas informações ajudam a entender os retornos e riscos observados enquanto a estratégia operava em condições reais de mercado.
No entanto, a verificação do histórico de operações por uma plataforma externa não equivale a uma auditoria financeira independente. Também não oferece garantia de resultados futuros.
Não avalie uma estratégia apenas pelo lucro divulgado
Quatro pontos merecem atenção especial:- Histórico de operações reais: Há quanto tempo a estratégia é executada em condições reais de mercado? Ela já passou por diferentes cenários econômicos e períodos de maior turbulência?
- Rentabilidade e drawdown máximo: Qual foi a dimensão das perdas e quedas temporárias enfrentadas para alcançar os resultados apresentados?
- Alavancagem, exposição e custos: A estratégia utiliza alavancagem ou mantém posições abertas relevantes? Quais taxas de administração e custos de negociação são cobrados?
- Correlação com os ETFs da carteira: Os retornos da estratégia apresentam um comportamento suficientemente diferente para oferecer uma possível melhora na diversificação?
Um histórico de operações reais fornece evidências mais diretas sobre a execução das negociações do que uma simulação. Ainda assim, resultados passados não garantem desempenho futuro.
Se o histórico divulgado incluir backtests ou períodos simulados, esses resultados devem ser apresentados separadamente daqueles obtidos em operações reais.
Para quem já possui ETFs, o propósito de avaliar uma nova estratégia não é necessariamente encontrar aquela com a maior rentabilidade. Mais importante é descobrir se ela acrescenta uma fonte de retorno útil, com um nível de risco aceitável.
5. É realmente necessário investir em outras estratégias além dos ETFs?
Nem todo investidor em ETFs precisa acrescentar uma estratégia quantitativa à carteira.Se os investimentos atuais já atendem aos seus objetivos financeiros, à sua tolerância ao risco e às suas necessidades de liquidez, manter a alocação existente pode ser uma decisão perfeitamente razoável.
Mas, conforme o patrimônio cresce, vale refletir sobre algumas questões:
- Dependência do mercado: Quanto do meu patrimônio depende diretamente do desempenho da bolsa de valores?
- Capacidade de suportar perdas: Uma queda expressiva da carteira poderia prejudicar meu planejamento de aposentadoria, retiradas programadas ou outros objetivos financeiros?
- Comprovação de resultados e gestão de risco: A estratégia que estou analisando possui um histórico verificável de operações reais e um processo confiável de gerenciamento de riscos?
- Benefício para a carteira: Depois de considerar custos e riscos, a inclusão dessa estratégia realmente melhoraria minha alocação de investimentos?
A baixa correlação, por si só, não é motivo suficiente para investir.
Uma nova estratégia só merece consideração quando seu potencial de retorno, seu perfil de risco e suas condições práticas são compatíveis com os objetivos e as limitações do investidor.
Conclusão: mantenha seus ETFs, mas amplie a diversificação
Investir em ETFs no longo prazo continua sendo uma abordagem adequada para muitos investidores. Considerar estratégias de baixa correlação não significa substituir os fundos que você já possui.A pergunta mais importante é outra:
“Minha carteira depende demais dos mesmos fatores de mercado e das mesmas fontes de retorno? Uma estratégia diferente poderia me ajudar a buscar crescimento patrimonial no longo prazo, administrando melhor os riscos?”
Para quem já construiu uma carteira de ETFs de longo prazo, compreender os drawdowns máximos históricos, a correlação entre retornos e o efeito de diferentes alocações é um bom ponto de partida para aprimorar a composição dos investimentos.
Ao pesquisar estratégias de baixa correlação, vale começar por três aspectos:
- Resultados reais verificáveis: Analise o histórico de operações efetivamente executadas, o período de acompanhamento e os custos envolvidos.
- Histórico de riscos e drawdowns: Observe como a estratégia se comportou em diferentes condições de mercado.
- Correlação com seus ETFs: Compare os retornos em períodos equivalentes para avaliar se a estratégia pode oferecer um benefício relevante de diversificação.
Estamos abertos à troca de ideias sobre pesquisa em estratégias quantitativas, gestão de riscos e construção de carteiras, contribuindo para que investidores interessados avaliem suas alternativas com mais informação e critérios bem fundamentados.
Uma carteira bem estruturada não busca apenas gerar rentabilidade. Ela também precisa administrar os riscos ao longo do caminho até os objetivos financeiros de longo prazo.